Meu irmão costumava acender o cigarro e logo apagar o fósforo em abanos desesperados como se estivesse queimando a mão. Depois, apertava o cigarro entre os dedos como quem traga um dos segredos da vida. Então, deitava as costas no espaldar da cadeira de balanço como se ali fosse dormir o sono tão almejado Eu o olhava de longe, com tantas perguntas, com tantas perguntas Nunca as fiz Nunca as fiz Agora nem ele, nem a cadeira de balanço - nem eu - que se foram em uma das tantas mudanças E agora, o cigarro em meus lábios, entre os dedos também e ainda as perguntas as perguntas que nunca as fiz e por que fá-la-ias? ora, eram perguntas impossíveis e por isso eram também as respostas, no mínimo, impossíveis Nas ruas sem mais ninguém - até talvez sem a mim mesmo - quando toda ânsia cansa, quando toda busca cessa, quando o eterno passa vou até a varanda e acendo um cigarro e enquanto trago - trégua? - vem essa coisa, meio magma, meu estigma, meio nada essa coisa amorfa quase eu quase algo. essa...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa